segunda-feira, 21 de julho de 2008

Usinas no rio Tapajós


Os estudos iniciais para as usinas hidrelétricas no rio Tapajós indicam a utilização de turbinas bulbo, como as previstas nas hidrelétricas do rio Madeira. Continua

Como a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, alardeou com desconhecimento técnico, diga-se de passagem, que usinas a fio d'água reduziriam os impactos ambientais, parece que resolveram adotar a moda. Precisam explicar para Marina Silva que só muda mesmo é a posição das turbinas, a bulbo fica na horizontal praticamente no leito do rio e é usada para usinas em rios de planície e a Kaplan fica na vertical com a tomada da água mais alta e é usada para usinas em rios de vales.

O resultado é o mesmo quanto aos impactos provocados pelos reservatórios: o de superfície (baixa queda com turbina bulbo) mantém perenes as áreas alagadas sazonalmente e aproveita a velocidade do rio; o de alta queda com turbina Kaplan necessita de concentração maior de volume de água. Claro que essa explicação é simplista, no entanto como a ex-Ministra continua dizendo que os impactos ambientais serão menores com as turbinas bulbo, convém que especialistas venham a público dar as explicações técnicas.

Um comentário:

  1. “Aceitar a síndrome do ‘fio d’água’ para os aproveitamentos hidrelétricos na Amazônia significa vergar-se ao ambientalismo-indigenismo neocolonial e privar a sociedade brasileira de um bem soberano”.
    comentarios:
    O alagamento produzido por reservatórios tem um efeito semelhante, em princípio, ao da poluição ambiental. “Com freqüência, a discussão pública do problema ambiental caracteriza-se mais pela emoção do que pela razão. Grande parte dela se desenvolve como se o ponto crucial fosse poluição e não poluição, como se fosse desejável e possível ter um mundo impoluto. Evidentemente isto é um absurdo. Ninguem que pense seriamente sobre o assunto considera a poluição zero como estado de coisas desejável e possível” ( Milton Friedman). Assim tambem não é desejável e possível um ambiente intocável. Qualquer reservatório — por diminuto que seja — produz prejuízo ambiental por alagamento. O Brasil pode ter tido a sorte de encontrar condições de relevo que permitiram a construção de reservatório do porte de Furnas, Itumbiara e Serra da Mesa na cabeceira dos rios Grande, Paranaíba e Tocantins, capazes de regularizar a vazão desses rios e garantir suprimento tranqüilo por cerca de 40 anos, o que é uma proeza. Mas essa foi uma estratégia plausível no século passado, quando condições sócio-ambientais nem eram levadas em conta e que só se tornaram possíveis graças a governos autoritários ou nacionalistas. Os habitantes de nosso município — um dos 34 afluentes de Furnas — sentiram na pele os estragos que não foram poucos. Não fora a construção dos reservatórios de regulação, certamente estaríamos patinando no atraso e não teríamos condições de propiciar aos brasileiros as inegáveis condições de vida hoje desfrutadas inclusive pelos “ribeirinhos” desses reservatórios.
    Não se trata de aceitar ou não a síndrome do ‘fio d’água’ para os aproveitamentos hidrelétricos na Amazônia: esta é uma condição imposta pela realidade do relevo. Nem significa vergar-se ao ambientalismo-indigenismo neocolonial — uma sentença carregada de retórica — mas aos princípios elementares da física do século XVIII. A sociedade brasileira estaria privada dos confortos da vida moderna se tivesse mantido intacto o “território soberano”. Percorri as cabeceiras dos Rios Xingu e Tapajós (pelo Google é claro), inclusive o Teles Pires. São Luiz do Tapajós está quase ao nível do mar, encostado no Amazonas. Os potenciais da vizinhança do Teles Pires têm pouca altura e pequena altitude para se tornarem candidatos a constituir estoques de energia que permita qualquer regularização. Pretender regularizar a vazão dos rios amazônicos é um atentado contra os princípios da física. Não resta alternativa senão aceitar as contingências do relevo e subaproveitar os potenciais na forma utilizada nas usinas do Rio Madeira. Pode ser pouco, mas é o que a natureza oferece. Entretanto, a pouca energia produzida por estes potenciais pode ser conjugada com termoelétricas a gás — imprescindíveis na Amazônia, como de resto em todo o sistema atual. Em ano eleitoral, os candidatos precisam mostrar serviço (grandes obras), ainda que na forma de promessas irrealizáveis, porque não há tempo hábil. Esta é a razão do nacionalismo exacerbado No entanto hesitam — num claro pedido de desculpas — pela obrigação que têm se “sujar a matriz energética.” Ainda persistem redutos nacionalistas que contam como possíveis eleitores. Bem, chega por enquanto...
    Hugo Siqueira Av Oscar Ornelas 157 Cabo Verde MG

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