terça-feira, 2 de setembro de 2008

Belo Monte é uma grande mentira

"Belo Monte é uma Grande Mentira" é uma resposta do Movimento de Mulheres de Altamira Campo e Cidade e Movimento Xingu Vivo para Sempre, à matéria veiculada pelo Diário do Pará, no ultimo dia 30, com declarações do presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira.

As mentiras que vêm sustentando Belo Monte mais uma vez foram trazidas à tona, agora pelo presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira, com intuito claro de ludibriar a opinião pública e a população local e promover o lobby das empreiteiras e empresas do setor elétrico e mineradoras. No ultimo dia 30 de agosto em reportagem veiculada pelo jornal Diário do Pará foi evidenciado mais uma vez todo o desrespeito que tem marcado as quase duas décadas nas quais as populações locais, ribeirinhos, indígenas, beiradeiros, pescadores, movimentos sociais, movimento de mulheres, os povos da Bacia do Rio Xingu, travam uma imbatível luta em defesa deste Rio que representa suas vidas. Várias foram as ações promovidas por milhares de pessoas que clamam pelo seu rio e pela vida. A mais recente manifestação de luta e resistência pela garantia dos seus direitos foi o Encontro Xingu Vivo para Sempre, realizado em Altamira entre os dias 19 e 23/05/2008, que teve a participação de aproximadamente 4 mil pessoas representando indígenas, ribeirinhos, população urbana, agricultores e agricultoras, pescadores, movimentos sociais, estudantes, Organizações Não-Governamental, pesquisadores e ambientalistas. Da forma como o governo está tratando a questão em pauta do projeto demonstra claramente que os governos federal e estadual não têm capacidade e sensibilidade necessárias para governar um país de diversidades, nem tão pouco para garantir processos democráticos e transparentes de tomada de decisão. Segundo as palavras do próprio presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira, na reportagem acima citada, o governo federal ‘decidiu trabalhar nos bastidores’, ou seja, é na surdina que as decisões e ações estão sendo tomadas, desrespeitando, desqualificando e desconsiderando totalmente o apelo pela garantia dos direitos e modos de vida que encontram sua dinâmica e manutenção na preservação do Rio Xingu.

O governo afirma que será construída apenas Belo Monte no Rio Xingu. Contudo, conforme apontado na reportagem, Jorge Palmeira afirma que “a expectativa é que em 2012 esteja instalada, em território paraense, a maior hidrelétrica inteiramente nacional, capaz de gerar 11 mil MW e que consumirá R$ 7 bilhões para ser construída”. Ora, é mais uma mentira, pois apenas Belo Monte não seria capaz de gerar os 11 mil MW sendo, portanto, evidente que se trata de um Complexo Hidrelétrico cuja primeiro barramento será Belo Monte. Os Povos da Bacia do Xingu vivem, conhecem e estudam a Bacia e os impactos irreversíveis e jamais recompensados financeiramente, pois para estes Povos o valor do rio não se restringe a lógica reducionista do capitalismo e do modelo de desenvolvimento perverso que lhe está sendo imposto. Portanto, não venha o Governo tentar ludibriar com propagandas e propostas enganosas que afrontam a nossa dignidade e o nosso direito à vida, ao meio ambiente, ao Rio Xingu.
Assim como outras obras de infra-estrutura, Belo Monte também tem sido apontada como a grande salvadora do país no que se refere à garantia de um crescimento que não queremos, pois nos impede de viver. A grande mentira neste ponto refere-se ao fato de que a energia produzida pelas hidrelétricas não é limpa nem tão pouco ambientalmente sustentável. Não aceitamos este discurso de que é necessário construir novas hidrelétricas. Além de sabermos que já existe sobra de energia no país, consideramos que hidrelétricas já existentes e aquelas que ainda não foram concluídas, bem como investimento na energia eólica, solar, e aproveitamento da energia desperdiçada nas linhas de transmissão, e outras fontes alternativas, que o Governo muito bem conhece, seria suficiente para atender a população brasileira. Infelizmente, o que se nota é o fortalecimento desta matriz energética devastadora e não o investimento nas alternativas renováveis para de fato atender todas as pessoas que moram nos mais longínquos lugares deste pais. Fica claro, portanto, que o governo não investe nestas fontes alternativas porque com isso não atenderia o lobby das empresas barrageiras, empreiteiras e empresas do setor elétrico e mineradoras nacionais e internacionais. Este tipo de matriz energética, que condena os rios da Amazônia à morte, atende aos interesses políticos e econômicos que há anos saqueiam nosso patrimônio e os rios do território brasileiro promovendo a insustentabilidade e violação dos direitos humanos.
Movimento de Mulheres de Altamira Campo e Cidade
Movimento Xingu Vivo para Sempre

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