Rio Madeira: Um rio em fúria
Ondas
engolem casas, e peixes aparecem mortos, enquanto pescadores passam fome. A
usina de Santo Antônio mudou o rio e a vida em Rondônia Por
Ana Aranha Dois
dias antes do início dos testes na primeira turbina da hidrelétrica de Santo
Antônio, em Rondônia, o telefone tocou na casa da pescadora Maria Iêsa Reis
Lima. “Vai começar”, avisou o amigo que trabalhava na construção da usina. Iêsa
sentou na varanda e se pôs a observar as águas, esperando o que sabia ser uma
mudança sem volta. “O rio Madeira tem um jeito perigoso, exige respeito. Os
engenheiros dizem que têm toda a tecnologia, mas nada controla a reação desse
rio.” Semanas
depois, no início de 2012, as águas que banham a capital Porto Velho começaram
a ficar agitadas. As ondas cresciam a cada dia, cavando a margem e arrancando
árvores. O deck do porto municipal se rompeu. O rio alcançou as casas, até que
a primeira delas ruiu junto com o barranco para dentro das águas.