terça-feira, 8 de julho de 2008

Dropes do dia


Peru: Hidrelétrica Inambari

A ambição por geração de energia elétrica com grandes hidrelétricas e com o sacrifício de preciosos ecossistemas parece não ter limites para a Eletrobrás/Furnas. Não bastasse o ataque aos rios da Amazônia brasileira, o governo do Brasil, através das estatais, lançou seus tentáculos para criar impactos no país vizinho, o Peru. Continua

O Brasil assinou em Maio um protocolo de intenções para a construção de hidrelétricas na América do Sul, e em especial no Peru. A maior delas, no vale magnífico do rio Inambari, custará R$ 3,2 bilhões e terá capacidade de gerar 1,5 mil MW. Esses números divulgados sobre custos de grandes obras, ora em dólares, ora em Reais, sempre parecem irreais se comparados a outros como o da usina de Santo Antônio que, para gerar 3,3 mil MW, precisará de R$ 14 bilhões. As contas nunca fecham para nós simples mortais! A diferença nesse caso, entre a futura Inambari, no Peru e Santo Antônio, no Brasil, seria relativa a custos ambientais ou às obras civis? Quem pode esclarecer?

Linha de Transmissão

Segundo o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, "a idéia é construir um 'linhão' ligando a usina até Porto Velho (RO)", aproveitando a futura conexão entre Rondônia e o Sul do País, proporcionada pelas usinas do Rio Madeira. O tal "linhão" é o sistema de transmissão, que ainda não tem estudos ambientais e nem Licença Prévia (mas tem data para o leilão: julho), das usinas do Complexo Hidrelétrico do Madeira, Santo Antônio e Jirau.

Financiamento

A Hidrelétrica Inambari, na província de Madre de Dios, será construída por meio de uma parceria entre Furnas, uma empreiteira brasileira e uma empresa do Peru e a energia excedente será distribuída pelo Brasil. Ainda, segundo Edison Lobão, Peru e Brasil devem construir um total de 15 usinas para gerar 290 mil MW. A Eletrobrás aguarda que o Congresso Nacional dê a anuência para esses e outros projetos já planejados para a próxima década. O BNDES pretende financiar US$ 10 bilhões e buscar a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimentos (BID).

A taxa de Carlos Minc

O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pretende criar uma taxa que poderá ser cobrada da geradora e do consumidor sobre a geração de energia de novas usinas hidrelétricas. Disse que essa poderá ser uma condição para a concessão da Licença de Instalação das usinas do Madeira.

Para Minc, essa taxa seria uma forma de financiar a preservação de unidades de conservação. O consumidor poderá pagar ainda mais caro pelo MWh, se a proposta do ministro for aceita. Pelo visto, programas de eficiência energética não estão mesmo sendo cogitados pelo governo.