sábado, 7 de maio de 2011

Belo Monte: Lobo mau e o chapeuzinho vermelho ou Edison Lobão e Dilma Rousseff

Mapa que mostra a distância entre a TI Paquiçamba e o acampamento do sítio Pimental (6km) e
a TI Paquiçamba e o reservatório dos canais (8km)
Telma Monteiro
Dilma chamou Edison Lobão e pediu explicações sobre as terras indígenas no projeto da hidrelétrica Belo Monte. Ele, eterno ministro de Minas e Energia, levou mapas e explicou para a presidente que a terra indígena mais próxima estaria a 31 km das obras e as outras a 200, 300 e 500 km.  Ainda fez previsão sobre a data da concessão da licença de instalação. 

O lobo mau enganou a chapeuzinho mais uma vez. Lembram do conto? Para que é esse nariz tão grande, vovó? Para te cheirar chapeuzinho. Para que são esses olhos tão grandes? Para te ver, minha netinha. Para que são essas orelhas tão grandes? Para te ouvir, minha netinha. Então a historinha virou verdade. E, nessa, que é real, o Lobão está enganando  a vovó, Dilma Rousseff, ao contar uma mentirona: as terras indígenas estão longe das obras de Belo Monte.

Edison Lobão disse que ONGs, opinião pública internacional e até o Ibama atrapalham e fazem "sofrer" o setor elétrico! Ora, ora, ora. Quem diria? Mas mesmo assim ele reafirmou que não vão desistir de Belo Monte[1].  O setor elétrico é masoquista...

As terras indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande estão localizadas exatamente na Volta Grande do Xingú, justamente no trecho em que o rio poderá perder 80% da sua vazão com a barragem no sítio Pimental. O relatório[2] de Edison Lobão foi preparado com mentiras.  E,  novamente, ele usou a velha chantagem desgastada de construir termelétrica a carvão se Belo Monte não sair do papel. Ele nem se intimidou com presença das lideranças indígenas em reunião organizada pela Secretaria-Geral da Presidência da República (06/05). Que pena.

Na reunião estavam presentes Gilberto Carvalho, de Minas e Energia, Edison Lobão, da Saúde, Alexandre Padilha, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto e o presidente da Funai, Márcio Meira.

Marcio Meira, aliás, perdeu uma boa oportunidade de desempenhar o papel que lhe cabe oficialmente: o de explicar direitinho à Dilma Rousseff – com mapas verdadeiros - a proximidade de Belo Monte das terras indígenas.  Poderia também ter dado a ela uma cópia do parecer 21.
Um pool de ministérios[3] vai empurrar Belo Monte mais rapidamente goela abaixo da sociedade e, junto, o marco regulatório da mineração.  Por falar nisso, o governo está criando mais uma agência - Agência Nacional de Mineração (outro cabide de empregos)  ligada ao MME e, lógico, não poderia faltar, a criação do Conselho Nacional de Mineração!
Adivinhem quem vai definir os critérios para autorização de pesquisa de mineração? Quem disse que será a Agência Nacional de Mineração (ANM), acertou.  Quem vai definir os critérios de autorização de lavra?
Toda essa criação e mais a regulamentação de mineração em terras indígenas. Eficiente, não?